De ética no estado, não sobrou nem a comissão (sem duplo sentido)

Quem puxar um pouquinho pela memória, acho que consegue lembrar. Era 2011, quando no auge de uma atitude de probidade, o ex-governador Sérgio Cabral criou a Comissão de Ética Pública Estadual (Cepe). O contexto eram as primeiras denúncias que surgiram à época sobre a utilização por Cabral de um jatinho para ir do Rio à Bahia, para o aniversário de Fernando Cavendish.

Com o governador agora preso, acredito que por atitudes não exatamente éticas, fui tentar descobrir que fim levou essa comissão. Pois bem, existe um site ativo, ligado à página do governo estadual. Lá, consta a estrutura básica da Cepe, formada por juristas sob a presidência do procurador aposentado Everardo Moreira Lima.

Então, liguei para Everardo e perguntei como anda a comissão. Sua resposta:

“A comissão não existe mais. Foi dissolvida, assim que terminou o governo do…”

“Do Sérgio Cabral?”, perguntei.

“Sim, sim. Queríamos que fosse criado um mecanismo específico para a fiscalização do governador e de seu vice. Isso não aconteceu. Optamos por dissolver a comissão”.

Muito legal então. Há um site ativo do ético governo estadual dizendo que um presidente preside uma comissão que não existe.

A última resolução da Cepe disponível na internet, de 2012, regula a participação de funcionários públicos no carnaval, vedando, por exemplo, que os servidores usem camarotes de fornecedores do estado e tal. Mas, enfim, quem vai controlar isso, se sequer existe uma comissão?

No fim da breve conversa, perguntei a Everardo o que ele achava da atual situação do ex-governador Cabral, que o nomeou à época na comissão, preso.

“Prefiro não comentar. Não seria ético de minha parte.”

Vida que segue.

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