Com cargos de confiança, funcionários da prefeitura são maioria em comitê científico de Crivella

Anunciado constantemente pelo prefeito do Rio, Marcelo Crivella, como o seu maior guia na elaboração das estratégias de combate ao coronavírus, o Comitê Científico do município é formado, em sua maioria, por funcionários que exercem cargos de confiança na atual gestão.

Dos 26 presentes na última reunião, realizada na semana passada, que autorizou mais uma etapa do processo de reabertura da cidade, 17 trabalham na estrutura da própria prefeitura, em funções de direção, segundo levantamento feito pelo blog.

Neste último encontro, só havia um infectologista, a assessora especial da Secretaria municipal de Saúde Patrícia Guttmann, que também é pediatra. No mês passado, segundo o portal de transparência da prefeitura, ela recebeu R$ 57,6 mil brutos***, ou R$ 38,1 mil líquidos, divididos em três contracheques.

Por sua vez, o comitê tem dois médicos-veterinários: a subsecretária de Vigilância, Fiscalização Sanitária e Controle de Zoonoses, Marcia Farias Rolim, e o superintendente de Educação da Vigilância Sanitária, Flávio Graça. Em maio, eles receberam, respectivamente, R$ 38,9 mil e R$ 18,3 mil brutos.

Especialistas ausentes

A lista total do Comitê Científico tem 28 nomes, mas na última reunião não estiveram presentes dois importantes especialistas da UFRJ: o virologista Amílcar Tanuri – que, segundo a prefeitura, pediu licença do colegiado porque não conseguiu mais compatibilizar sua agenda – e o infectologista Celso Ramos Filho. Este último chegou inclusive a criticar a medida da prefeitura de reabrir os shopping-centers na véspera do Dia dos Namorados.

Entre os 26 profissionais que participaram do encontro, realizado em 10 de junho, a ginecologia era a especialidade com mais representantes: seis, sendo quatro com cargos de direção no município. Havia também o ex-secretário municipal de Saúde da gestão Crivella, o cardiologista Marco Antonio de Mattos, e o clínico Rômulo Capello Teixeira, da Câmara dos Vereadores.

Na transição para a fase atual, definida nesta última reunião, outra novidade foi a volta das competições esportivas, sem público. Nesta quinta, Flamengo e Bangu se enfrentaram no Maracanã mesmo com um hospital de campanha instalado ao lado do estádio. Fluminense e Botafogo se posicionaram contra o retorno aos gramados.

A taxa de contaminação no município do Rio vem caindo, mas há o receio de que, com o retorno das atividades, os efeitos comecem a ser sentidos a partir de cinco dias. Eventuais transições para novas fases de reabertura ou retorno ao fechamento são definidos pela prefeitura exatamente com o aval deste Comitê Científico.

“Grupo plural”

Membro do comitê e subsecretário geral executivo da Secretaria municipal de Saúde, o médico Jorge Darze defendeu o colegiado:

“Diante da pandemia, o mais lógico, o mais racional foi buscar apoio na comunidade científica. Então, eu convidei alguns professores da UFRJ, convidei um matemático, um economista, para compor junto com os membros da Secretaria municipal de Saúde a formação deste comitê, que passou a ter uma função de fundamental importância. Tanto isso ocorreu que todos os decretos assinados pelo prefeito tiveram o aval deste colegiado”.

Darze classificou ainda o grupo como “plural”, com representantes tanto de dentro como de fora da prefeitura e disse que as medidas são calçadas em critérios objetivos:

“Esses critérios são avaliados periodicamente para atestar em que condição o município se encontra e saber se é possível se alterar a fase. A autorização acontece quando há condições estatísticas de segurança. Muitos dos indicadores da transição para a fase 2 já mostravam autorização para ir além. Mas evidentemente isso não foi feito por uma questão de responsabilidade. Para passar de uma para outra fase, é preciso que todos os sete requisitos que analisamos estejam adequados”.

Quem está no comitê

Confira a lista dos 28 representantes do Comitê Científico da prefeitura:

  • Ana Beatriz Busch – anestesiologista – secretária municipal de Saúde – remuneração em maio: R$ 49,1 mil brutos / R$ 32,6 mil líquidos
  • Jorge Darze – ginecologista e obstetra – subsecretário geral executivo – remuneração em maio: R$ 22,9 mil brutos / R$ 17,5 mil líquidos
  • Mario Celso da Gama Lima Junior – ginecologista – subsecretário de Atenção Hospitalar, Urgência e Emergência – remuneração em maio: R$ 42,6 mil brutos / R$ 28,3 mil líquidos
  • Claudia da Silva Lunardi – ginecologista – subsecretária de Regulação, Controle, Avaliação, Contratualização e Auditoria – remuneração em maio: R$ 42,8 mil brutos / R$ 28,5 mil líquidos
  • Leonardo de Oliveira El Warrak – formado em odontologia, mestre em Saúde Pública – subsecretário de Promoção, Atenção Primária e Vigilância em Saúde – remuneração em maio: R$ 23,2 mil brutos / R$ 17,7 mil líquidos
  • Marcia Farias Rolim – médica-veterinária – Subsecretária de Vigilância, Fiscalização Sanitária e Controle de Zoonoses – remuneração em maio – R$ 38,9 mil brutos / R$ 27,1 mil líquidos
  • Flávio Graça – médico-veterinário – superintendente de Educação da Vigilância Sanitária – remuneração em maio: R$ 18,3 mil brutos / R$ 14,2 mil líquidos
  • Patrícia Guttmann – infectologista – assessora especial da Secretaria de Saúde – remuneração em maio: R$ 57,6 mil brutos / R$ 38,1 mil líquidos
  • Carla da Silva Freire Cantisano – ortopedista – coordenadora geral de emergência da Área de Planejamento 3.2 – remuneração em maio: R$ 29,3 mil brutos / R$ 19,7 mil líquidos
  • Cristiano Curcio Chame – ortopedista – coordenador geral de emergência da Área de Planejamento 2.1 – remuneração em maio: R$ 24,3 mil brutos / R$ 16,5 mil líquidos
  • Antonio Araujo da Costa – cirurgião vascular – coordenador geral de emergência da Área de Planejamento 1 – remuneração em maio: R$ 35,6 mil brutos / R$ 24 mil líquidos
  • Daniel Giani Marcos Dias – cirurgião vascular – coordenador geral de emergência da Área de Planejamento 4 – remuneração em maio: R$ 21 mil brutos / R$ 14,3 mil líquidos
  • Alexandre Campos Pinto Silva – assessor da Casa Civil – remuneração em maio: R$ 23,4 mil brutos / R$ 17,3 mil líquidos
  • Cesar Fontes Rodrigues – clínico – diretor do Hospital Ronaldo Gazzola*
  • Valesca Antunes Marques – cardiologista – coordenadora do Hospital de Campanha do Riocentro*
  • Carla Antunes Manhães – ginecologista – diretora médica do Hospital Rocha Faria*
  • Carlos Alberto Costa Araújo Junior – hematologista – diretor médico do Hospital Pedro II*
  • Marco Antonio de Mattos – cardiologista – ex-secretário municipal de Saúde da gestão Crivella
  • Gabriel Villela de Andrade Massot – otorrinolaringologista – Unimed
  • Raphael Câmara – ginecologista – Cremerj
  • Walter Palis – ginecologista – Cremerj
  • Sylvio Provenzano – endocrinologista e clínico – Cremerj
  • Flávio Antonio de Sá Ribeiro – cirurgião – Cremerj
  • Romulo Capello Teixeira – clínico – Câmara dos Vereadores
  • Bernardo Freitas Paulo da Costa – matemático – UFRJ
  • Celso Ramos Filho – infectologista – UFRJ
  • Amílcar Tanuri – virologista – UFRJ (pediu licença)

*Remuneração não divulgada no portal de transparência da prefeitura

**Foto em destaque: Prefeito Marcelo Crivella e a secretária de Saúde, Ana Beatriz Busch / Marcos de Paula / Prefeitura do Rio

***A respeito da remuneração de Patrícia Guttmann, a Secretaria de Saúde mandou os seguintes esclarecimentos, incluídos às 17h10m de sexta (19): “O valor recebido pela infectologista em maio é referente ao pagamento retroativo de 4 meses da gratificação incorporada ao salário da servidora em fevereiro. O subtítulo da reportagem publicada pelo site sugere que esse pagamento é o salário da coordenadora, mas isso não é verdade. A servidora receberá, após incorporação da gratificação, R$ 32 mil por mês”.

Nota do blog: Os dados foram obtidos no Portal da Transparência e estão corretos. Foi usado um mesmo padrão na reportagem, de remuneração no mês de maio, último vigente disponível. Em nenhum momento, o blog fala em salário.

4 comentários

  1. Boa tarde. Isso consta do Diário Oficial? Qual é a fonte dessa informação? Sou educadora e estou preocupada com o iminente retorno às aulas no município do Rio de Janeiro. Obrigada.

      1. 17 de junho, páginas 33 e 34. Os nomes que não estão publicados foram informados pela assessoria de imprensa da SMS, pois haviam faltado a reunião.

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