Prefeitura do Rio já pagou R$ 400 mil em gratificações a secretários

Em 3 meses, prefeitura do Rio já pagou R$ 400 mil em penduricalhos a secretários

Ao mesmo tempo em que adota um discurso de austeridade, com medidas como o aumento da alíquota de contribuição previdenciária de milhares de servidores, a prefeitura do Rio segue de bolso aberto para ocupantes de cargos comissionados do alto escalão.

Um levantamento feito pelo blog nos contracheques de secretários municipais dos três primeiros meses da gestão Eduardo Paes mostra que vem aumentando a quantidade de penduricalhos que inflam as remunerações.

Em janeiro, foram pagos R$ 48,2 mil em encargos, jetons ou representações aos titulares das pastas. Em fevereiro, foram R$ 128,7 mil. Em março, R$ 169,4 mil. Somados a valores atrasados de meses anteriores que entraram somente nos contracheques de fevereiro ou março (R$ 53,2 mil), o total chega a R$ 399,7 mil.

Foram levados em conta os vencimentos de 21 secretários que constam no site de transparência da prefeitura. Os deputados federais Pedro Paulo (Fazenda) e Marcelo Calero (Governo e Integridade), estadual Jorge Felippe Neto (Trabalho) e o vereador Átila Nunes (Cidadania) não constam na folha de pagamento do município pois seguem recebendo pelos Legislativos.

“Salários condizentes”

Em nota, a assessoria de imprensa da prefeitura do Rio afirmou que “os salários dos secretários são condizentes com as funções e com as responsabilidades que eles possuem”. “Além disso, os rendimentos respeitam a Constituição e a legislação vigente. Durante os primeiros meses, a folha de pagamento passou por ajustes e, em alguns casos, foi preciso corrigir distorções com valores referentes a meses anteriores”, completou.

No primeiro mês da nova gestão, 13 dos 21 secretários receberam o subsídio padrão para o cargo que ocupam, sem nenhum adicional: R$ 16,4 mil brutos ou R$ 12,2 mil líquidos. O titular da pasta de Esportes, Guilherme Schleder, ganhou um pouco menos: R$ 15,3 mil brutos ou R$ 11,4 mil líquidos.

Os comandantes das pastas de Promoção da Mulher (Joyce Trindade), Juventude (Salvino Barbosa) e Ação Comunitária (Marli Peçanha) ganharam já em janeiro um encargo de R$ 10 mil cada, que fez com que as remunerações brutas chegassem a R$ 26,4 mil. Os valores líquidos foram de R$ 19,4 mil.

A partir de fevereiro, os vencimentos se mantiveram, com exceção de Marli Peçanha, que passou a receber um encargo menor, de R$ 7.572 por mês. Sua remuneração bruta passou, então, para R$ 24 mil. O líquido, para R$ 17.724.

Só 1 sem penduricalhos

Outro que teve vencimentos de R$ 26,4 mil brutos nos três primeiros meses de 2021 foi o vice-prefeito Nilton Caldeira, que acumula o cargo de secretário de Habitação. No caso dele, R$ 18,2 mil são referentes a um encargo e à representação do prefeito.

A única funcionária de carreira da prefeitura na lista é Kátia Marisa Soares da Silva, da Infraestrutura. Ela recebeu em janeiro R$ 29,5 mil brutos. Nos outros dois meses, R$ 31,5 mil. As gratificações recebidas, porém, já estavam em seus vencimentos antes de ela assumir o cargo atual. Apenas um jeton de R$ 2 mil foi acrescentado nos meses de fevereiro e março.

Há outros dois secretários cujas remunerações localizadas pelo blog foram apenas as de fevereiro e março: Cristiano Beraldo (Turismo) e Júnior da Lucinha (Envelhecimento Saudável). Este último, aliás, foi o único entre todos os secretários que, em março, continuou recebendo apenas o subsídio básico, de R$ 16,4 mil brutos, sem nenhum penduricalho.

R$ 32 mil

A partir de fevereiro, quem não tinha os encargos e jetons foi passando a receber, alguns inclusive de forma retroativa. A maior remuneração em março foi a do secretário municipal de Cultura, Marcus Faustini. Ele recebeu R$ 15,9 mil de gratificações, chegando a um vencimento bruto de R$ 32,3 mil. Ou R$ 23,1 mil líquidos.

Entre fevereiro e março, outros secretários como Renan Ferreirinha (Educação), Laura Carneiro (Assistência Social) e Guilherme Schleder (Esportes) passaram a receber R$ 10 mil de gratificações além do subsídio básico. No caso de Schleder, houve pagamento retroativo a janeiro.

Sem padrão

O que se vê é que não há exatamente um padrão definido. Chicão Bulhões, do Desenvolvimento Econômico, por exemplo, recebeu só R$ 5 mil de encargos no mês de março. Em janeiro e fevereiro, apenas o subsídio de secretário.

Houve também, por sua vez, quem recebeu um aumento de 50% entre um mês e outro. William Coelho, secretário de Ciência e Tecnologia, ganhou apenas o subsídio básico em janeiro. Em fevereiro, foram somados encargos de R$ 5 mil. Em março, o valor passou para R$ 7,5 mil. E houve o pagamento dos R$ 5 mil atrasados que não constaram na folha de janeiro.

Depois de Júnior da Lucinha, o segundo menor salário em março foi o do secretário de Meio Ambiente, Eduardo Cavaliere. Ele recebeu somente um adicional de R$ 1.457, o que fez com que seu vencimento bruto chegasse a R$ 17,8 mil. Em janeiro e fevereiro, ele ganhou apenas o subsídio de R$ 16,4 mil.

A tabela completa com os vencimentos dos secretários pode ser acessada aqui.

*Foto em destaque: Sede administrativa da prefeitura do Rio / Divulgação

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