Witzel precisa analisar melhor os seus colegas de faculdade

Nas últimas semanas, o blog tem mostrado na seção Estado Novo – recomendo, por sinal! – o passado preocupante de alguns nomeados no governo de Wilson Witzel. Nesta quinta (28), a prisão do policial Flávio Pacca, acusado de fazer parte de um grupo que teria extorquido comerciantes na Baixada, coloca na berlinda mais um homem próximo ao chefe do Executivo fluminense. Depois de evitar os jornalistas no início do dia, o governador falou à tarde. E parte da resposta lembrou muito um discurso que vimos meses atrás.

“Ele foi meu colega de faculdade, assim como a esposa dele”, disse Witzel segundo o registro do site G1.

O governador rebateu as notícias dadas ao longo do dia, que afirmavam que Pacca exercia a função de seu consultor de segurança. O próprio G1, porém, relembrou um áudio, de novembro, em que Witzel apresentava o policial como seu “assessor especialista na área de tiro”. Era Pacca quem dava as explicações sobre o projeto do governador de “atirar na cabecinha” de quem estiver portando um fuzil.

O blog localizou um vídeo, publicado na própria página da campanha de Witzel, em 19 de setembro do ano passado, em que Pacca aparece dando orientações ao ex-juiz, num treinamento de tiro. No fim, ao acertar o alvo, o então candidato ao governo do Rio sorri. A legenda que acompanha o vídeo é emblemática:

“Vamos estimular os clubes de tiro. O Cidadão de bem tem o direito de se defender”.

Não é preciso ser um grande investigador para ver a proximidade dos dois espalhada por aí. Pacca concorreu a uma vaga de deputado federal pelo PSC, mesmo partido do governador, mas não se elegeu. Teve até uma pequena doação do comitê de campanha de Witzel. Logo no início da corrida eleitoral, eles já posavam juntos. E até com direito a general.

No dia 8 de abril, meses antes do início oficial da campanha, Flávio Pacca mudou sua foto de capa para uma imagem em que aparece abraçado com o ex-juiz federal. Só quem ama sabe que foto de capa abraçado não é para qualquer um.

Seria possível relembrar mais e mais cenas, mas volto ao ponto que citei no início do texto. É claro que ainda existe uma investigação em andamento e, apesar da prisão, Pacca ainda não foi condenado. O governador, porém, não parece querer mais essa proximidade. O policial é apenas mais um ex-colega de faculdade.

Durante a campanha que o elegeu um dos principais apertos passados por Witzel foi ver seu nome atrelado ao advogado Luiz Carlos Cavalcanti Azenha, que foi flagrado ajudando o traficante Nem a fugir da Rocinha em 2011 na mala de seu carro.

Tudo começou com algumas fotos dos dois juntos. Mas a suposta proximidade foi rebatida logo pelo então candidato com uma principal alegação: Azenha foi um dos seus milhares de alunos na Faculdade de Direito. Ou seja, a explicação de hoje, em relação a Pacca, não chega a ser exatamente inédita.

Resta saber agora como será o comportamento do policial ao já não ser mais assim tão amigo de Witzel. Azenha não ficou muito feliz na época: a revista Veja publicou mensagens de Whatt´s App que indicavam sim uma relação muito próxima. Numa delas, o ex-juiz afirmava: “Você me representa”.

O baque não foi suficiente para abalar a candidatura de Witzel, diante de um adversário no segundo turno, Eduardo Paes, que tinha no passado ao lado de caciques do PMDB presos um grande telhado de vidro o acompanhando.

De Azenha, muito pouco quase nada ouve-se falar mais.

Vamos ver o que virá pela frente para mais um colega da faculdade do barulho do governador.

*Foto em destaque: Witzel posa com Pacca e o general Hamilton Mourão / Crédito: Reprodução / Facebook

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