Motorista da Comlurb teve que limpar santinhos de filho de Crivella em ônibus

Uma pessoa simples, motorista da Comlurb, empresa pública responsável pela limpeza na cidade do Rio, chamou a atenção de vereadores que participaram, nesta quinta (21), de uma audiência da CPI que investiga o suposto uso da máquina pública para favorecer candidatos apoiados pelo prefeito Marcelo Crivella, na campanha eleitoral do ano passado.

Para quem não se lembra, o caso investigado pela CPI é o do evento realizado na quadra da escola de samba Estácio de Sá para promover as candidaturas de Marcelo Hodge Crivella (filho do prefeito, a deputado federal); Alessandro Costa (a deputado estadual) e Eduardo Lopes (ao Senado). Diversos ônibus da Comlurb foram flagrados à época nos arredores da quadra, lotada de funcionários, mas a empresa negou qualquer irregularidade.

Panfletos no chão

Pois bem, nesta quinta, Roberto Pessoa dos Santos, motorista da companhia há sete anos, não só confirmou que teve que guiar o ônibus – em sua rotina usado apenas na região de Marechal Hermes -, para levar os funcionários da Comlurb para o evento político na Estácio, como ainda contou que teve que limpar os santinhos do filho de Crivella, deixados no chão do veículo pelos participantes.

Resumindo: os funcionários de uma companhia de limpeza, após assistirem a um evento político de candidatos apoiados pelo prefeito, ainda deixaram lixo eleitoral para o motorista recolher.

“Deixaram (os santinhos) dentro do ônibus e aí eu tive que dar destino. Tinha mais de 100 panfletinhos do Marcelo Crivella (filho)”.

Não custa lembrar que a Comlurb tem em vigor um programa chamado “Lixo Zero”, que prevê multas a partir de R$ 170 para quem jogar lixo onde não deve.

Roberto ainda contou que, no trajeto de volta com o ônibus da Comlurb, em que foi deixando os participantes do evento, ouviu comentários a respeito da candidatura do filho de Crivella:

“Eu escutava… Eles falando lá do… Querendo voto para o filho do Prefeito Marcelo Crivella, que não sei o quê e tal… A gente dirigindo, a gente ouve certas coisas”.

Mas o motorista também relatou reclamações:

“Eles estavam reclamando que a água estava muito cara, que estava R$ 5, que não sei o quê… Estavam reclamando de um monte de coisa, que não deram nada, que isso e aquilo, não deram lanche, não deram nada.

O modo sincero como Roberto contou os fatos que envolveram o evento, realizado em setembro do ano passado, chegou a provocar elogios da vereadora Rosa Fernandes (MDB), membro da CPI:

“Roberto, você é muito bom depoente. Muito obrigada… Você foi preciso e brilhante”.

“Não vou mentir porque Deus está na minha vida”

No fim de seu depoimento, o motorista ainda deu um recado:

“Eu não vou mentir, sabe por quê? Porque Deus está na minha vida, porque a minha esposa faz tratamento para o câncer, eu determinei a não mentir e a não falar coisas erradas”.

A ordem para que ele fizesse o trajeto fora de sua rotina partiu, segundo Roberto, de um gerente regional da Comlurb em Marechal Hermes, que ele identificou como Paulo.

Multa do TRE

Apesar dos esforços na campanha, nenhum dos três candidatos que promoveram suas candidaturas no evento na Estácio de Sá conseguiu se eleger. E o evento ainda dá dor de cabeça não só por causa da CPI na Câmara.

Em dezembro do ano passado, o prefeito foi multado em R$ 10 mil pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) pelo uso da máquina pública para beneficiar os aliados. Já Marcelo Crivella Filho, Alessandro Costa, Eduardo Lopes e Tarquínio Almeida, presidente da Comlurb, foram multados em R$ 5 mil cada um.

*Foto em destaque: Marcelo Crivella Filho mostra santinho durante evento de campanha / Crédito: Reprodução/Facebook

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