Vice de Witzel empregou na Câmara preso na Operação Catarata

Um dos presos nesta terça (30) na Operação Catarata, que apura fraudes em contratos que totalizam R$ 66 milhões na Fundação Leão XII, é um velho conhecido do vice-governador do Estado do Rio, Cláudio Castro. Servidor da prefeitura do Rio, Marcus Vinícius Azevedo da Silva foi cedido ao gabinete de Castro na Câmara de Vereadores por cerca de cinco meses em 2017. Ele é um dos sócios da empresa Riomix, uma das quatro acusadas de participação num esquema que teria burlado licitações para um projeto que oferecia serviços oftalmológicos.

Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público Estadual, responsáveis pela Operação Catarata, o esquema teria acontecido entre os anos de 2015 e 2018. Em parte desse período, portanto, um dos presos nesta terça esteve nomeado no gabinete do então vereador, atual vice-governador, Cláudio Castro, na Câmara Municipal do Rio.

“Experiência técnica”

A assessoria de imprensa do vice-governador confirmou que ele empregou Marcus Vinícius no Legislativo carioca, alegando que o servidor da prefeitura tinha “experiência técnica”. O blog apurou que o sócio da Riomix esteve lotado no gabinete de Castro entre março e agosto de 2017. Eleito vereador em 2016 com pouco mais de 10 mil votos pelo PSC, Cláudio Castro se afastou do mandato em agosto de 2018, quando foi anunciada a chapa com Wilson Witzel, do mesmo partido.

“Marcus Vinícius Azevedo da Silva trabalhou no gabinete do então vereador Cláudio Castro, atuando na elaboração de projetos de lei ligados às áreas de desenvolvimento e assistência social. O mesmo é servidor de carreira do Município do Rio e foi cedido para o mandato por conta de sua experiência técnica nas referidas áreas”, afirmou a vice-governadoria em nota.

A assessoria do vice-governador acrescentou que “além disso, (Marcus Vinícius) trabalhou na análise de processos ligados à 2ª Secretaria da Câmara Municipal, cargo ocupado por Cláudio Castro. Com a saída do Legislativo, o parlamentar exonerou Marcus Vinícius e todos os demais servidores municipais lotados no gabinete, tendo em vista que os mesmos não atendiam às exigências técnicas para ocuparem cargos no Executivo”.

Preso segue com cargo na Câmara

Atualmente, Marcus Vinícius segue cedido para a Câmara de Vereadores. No dia 1º de janeiro deste ano, ele foi nomeado na 2ª vice-presidência da Casa, posto ocupado pelo vereador Zico (PTB), que foi procurado pelo blog, mas não retornou as ligações.

Segundo o site da Prefeitura do Rio, o salário do servidor preso foi, em junho, de R$ 4,9 mil líquidos. Em compensação, a empresa Riomix, acusada de fraudes na Leão XIII, da qual ele é um dos sócios, tem capital de R$ 700 mil, segundo o site da Receita Federal.

O outro sócio da Riomix, Vítor Alves da Silva Júnior, também foi detido na operação desta terça.

560 mil óculos

Foco das suspeitas de fraudes, a Fundação Leão XIII é um órgão do governo estadual subordinado exatamente ao vice-governador Cláudio Castro, que tem como função básica a condução de projetos sociais. As investigações, porém, se concentraram em contratos assinados no período entre 2015 e 2018, ainda na gestão anterior. Além da Polícia Civil e do MP, a própria Controladoria Geral do Estado (CGE) auxiliou nas investigações. Os trabalhos do projeto sob suspeita foram suspensos.

O esquema envolveria quatro empresas (Servlog, Riomix, Grupo Galeno e Tercebrás), que teriam se unido para burlar licitações de um projeto, chamado Novo Olhar, que deveria ter oferecido 560 mil armações de óculos, 560 mil consultas oftalmológicas e 560 mil exames de glicemia. 

Além de Vítor Alves e Marcus Vinícius, foram alvos de mandado de prisão André Brandão Ferreira, Bruno Campos Selem, Daysy Luce Reis Couto e o casal Flávio Salomão e Marcelle Braga Chadud. Os dois últimos estão relacionados à empresa Servlog, que acabou sendo a vencedora das licitações no estado.

Aliado de secretário na mira

A Operação Catarata também respingou num nome próximo ao atual secretário estadual de Educação Pedro Fernandes. Segundo o jornal O Globo, o deputado Sérgio Fernandes, apadrinhado do secretário, é um dos investigados. Ele foi presidente da Fundação Leão XIII em períodos em que o projeto Novo Olhar foi desenvolvido.

A O Globo, Witzel disse que o governo “não admite qualquer tipo de corrupção” e que “não tem bandido de estimação”.

*Foto em destaque: O vice-governador Cláudio Castro em evento no Copacabana Palace, no mês passado / Reprodução / Facebook


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