Acusado na Operação Favorito doou para a campanha de Wilson Witzel

Acusado na Operação Favorito foi 5º maior doador de campanha de Witzel

Um dos acusados pelo Ministério Público estadual, na ação penal da Operação Favorito, que aponta o desvio de R$ 3,95 milhões de recursos da Saúde no Estado do Rio por uma organização criminosa, foi o quinto maior doador da campanha do governador Wilson Witzel, em 2018.

De acordo com os dados que constam no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o médico Bruno José da Costa Kopke Ribeiro colaborou com R$ 75 mil através de uma transferência eletrônica realizada no dia 26 de outubro, dois dias antes do segundo turno das eleições.

Apesar de não estar na lista dos presos da Operação Favorito, Bruno Kopke consta entre os acusados, no processo que corre na 3ª Vara Criminal de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Diretor do Unir Saúde

Documentos da página da Organização Social Instituto Unir Saúde mostram que o médico vem atuando como diretor de Operações da entidade. Num relatório de março do ano passado, por exemplo, ele foi identificado como um dos responsáveis técnicos de referência para a gestão de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), do governo estadual, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio.

O Instituto Unir Saúde, por sua vez, está no foco das investigações da Operação Favorito. Na ação que corre na 3ª Vara Criminal de Duque de Caxias, o MP estadual apontou que a entidade teria dado continuidade a um esquema que havia sido montado com outra OS, o Instituto Data Rio, para superfaturamento de contratos de alimentação.

Cinco pessoas foram presas nesse braço da operação. Entre elas, está o dono de uma empresa de comércio de insumos hospitalares, a LP Farma, Leandro Braga de Sousa. No último sábado, o blog mostrou que ele tem em tramitação no governo estadual um pedido de isenção fiscal de R$ 10 milhões para a expansão de sua companhia.

“Zero 1 do palácio”

O outro braço da Operação Favorito, do Ministério Público Federal, terminou com a prisão do empresário Mário Peixoto. Os procuradores afirmam que ele seria a figura que exercia um “domínio velado” sobre Organizações Sociais, como o próprio Instituto Unir Saúde.

Em uma interceptação feita em 24 de março, com autorização da Justiça, outro preso apontado como figura central no esquema, Luiz Roberto Martins, informou ao ex-deputado Nelson Bornier que o “zero 1 do palácio assinou aquela revogação da desclassificação da Unir”.

Em 23 de março, foi publicado um despacho do governador que realmente revogou a desclassificação, de outubro do ano passado, e permitiu que a entidade pudesse voltar a contratar com o governo estadual.

Nesta segunda (18), o jornal O Globo mostrou que Wilson Witzel desprezou dois pareceres jurídicos internos ao requalificar o Unir Saúde. Os documentos apontavam irregularidades nas contas da entidade na gestão de UPAs, inclusive com indicação de devolução de recursos relativos a despesas não comprovadas.

Na semana passada, após a deflagração da Operação Favorito, o governador publicou um novo despacho, em edição extra do Diário Oficial, revertendo sua decisão e desqualificando novamente o Unir Saúde.

O que diz o governo

A assessoria do governador Wilson Witzel encaminhou ao blog os seguintes esclarecimentos:

“O governador Wilson Witzel não tem e nunca teve qualquer relação com Bruno Kopke. O processo administrativo em questão (requalificação do Unir Saúde) foi julgado em conformidade com os princípios da legalidade, moralidade, eficiência, publicidade e impessoalidade. Diante dos fatos narrados na decisão da 7ª Vara da Justiça Federal, o governador Wilson Witzel desqualificou o Instituto Unir Saúde, na última sexta-feira”.

A Controladoria Geral do Estado (CGE) também abriu auditoria para verificar os contratos assinados com empresas citadas na Operação Favorito.

O blog não conseguiu contato com Bruno Kopke. O espaço segue aberto.

*Foto em destaque: Governador do Rio, Wilson Witzel / Fernando Frazão / Agência Brasil

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