Secretário Felipe Michel

Com crise do coronavírus, Felipe Michel emplaca novo apadrinhado com salário de R$ 10 mil na Saúde

Enquanto crescem os casos de coronavírus na cidade do Rio de Janeiro, a Secretaria municipal de Saúde – essencial no planejamento do combate à doença – está servindo de cabide de emprego para o apadrinhado de um político da própria prefeitura.

Nesta quarta (18), foi nomeado para um cargo de assessor especial da pasta Wagner Dobroski da Silva, conhecido como “Waguinho de Cordovil” ou “Waguinho do Rio de Janeiro”. Sem qualquer passagem oficial anterior por cargo no Executivo, formação em Medicina ou gestão na área de Saúde, ele receberá cerca de R$ 10 mil mensais. O valor é o dobro, por exemplo, do que está sendo oferecido para um cirurgião dentista trabalhar por 40 horas semanais em ações de Saúde da Família da própria prefeitura.

Mas o que Wagner tem de tão especial? Conforme diversas publicações em suas redes sociais, ele vem trabalhando não é de hoje para o vereador licenciado e atual secretário municipal de Envelhecimento Saudável, Qualidade de Vida e Eventos, Felipe Michel.

Waguinho e Felipe Michel em foto de 2016 / Reprodução / Facebook

Mais um fantasma às avessas

Apesar de nunca ter tido um cargo anterior na prefeitura, Waguinho andou pela cidade no início deste ano vestido com um colete como se fosse funcionário do município. Participou de ações nos bairros, geralmente ligadas a manutenção e obras pontuais, fazendo questão de dizer que trabalhava a pedido de Felipe Michel.

Numa postagem publicada em sua página no Facebook no dia 29 de janeiro, ele aparece com um colete dentro do Centro de Operações da Prefeitura do Rio mesmo não estando nomeado em cargo algum. E agradece a Felipe Michel “pela confiança depositada em mim para te representar em várias áreas em todo o Rio de Janeiro e em vários setores da área pública”.

Waguinho se enquadra no mesmo caso revelado pelo blog em 13 de fevereiro, dos “funcionários fantasmas às avessas”, apadrinhados de Felipe Michel. Ou seja, pessoas que agem como se fossem servidores do município sem ter cargos.

Um dos casos mostrados à época foi o de Eduardo de Lira, que também aparecia em redes sociais com colete da prefeitura sem nomeação. Depois que a reportagem foi publicada, houve uma espécie de “De volta para o futuro”. Eduardo ganhou o cargo de assessor especial da Secretaria municipal de Saúde, com data retroativa a 1º de fevereiro.

Agora, foi a vez de Waguinho herdar o cargo que era de Eduardo. A nomeação saiu nesta quarta, mas foi retroativa a 1º de março. No fim deste mês, ele já deve receber a remuneração integral, de R$ 10,5 mil brutos, num momento crítico para a cidade, em que são fundamentais profissionais qualificados na área de Saúde.

Gosta de selfie

A parceria entre Felipe Michel e Wagner Dobroski da Silva também tem registros oficiais na Câmara do Rio. Em 10 de agosto de 2018, Waguinho e seu pai receberam uma moção do vereador, com direito a discurso.

“Chamo agora, para entregar a Moção, o nosso amigo de Cordovil, Senhor Humberto Ignácio da Silva, pai do nosso amigo Waguinho de Cordovil. Você é guerreiro! Não tem tempo ruim… Vou aproveitar e entregar logo para o nosso amigo Waguinho de Cordovil, Wagner Dobroski da Silva. Apesar de gostar de uma selfie, é guerreiro demais. Trabalhando, isso é um fenômeno e amigo. Waguinho, obrigado por tudo e parabéns pelo pai que você é e pelo seu pai”.

Em sua página no Facebook, Wagner se identifica atualmente como “coordenador político”. Em 2019, ele chegou a ter cargo no gabinete de Felipe Michel na Câmara de Vereadores. Era auxiliar, cargo comissionado de menor salário entre aqueles do Legislativo carioca: R$ 8,3 mil mensais. Em 2016, ele também esteve no gabinete do então deputado Osorio na Alerj, que é do PSDB, mesmo partido de Michel.

O blog pediu à Secretaria municipal de Saúde e à assessoria de imprensa de Felipe Michel explicações sobre a nomeação de Wagner e seu currículo, mas não houve retorno, O espaço segue aberto.

Pai nomeado por deputado

Além do apadrinhado na Secretaria municipal de Saúde, Felipe Michel ainda tem um parente nomeado no gabinete de um nome importante no cenário atual do setor. Seu pai, Paulo Cesar Michel, é, desde fevereiro do ano passado, secretário parlamentar do deputado federal Luiz Antônio Teixeira Jr., o Dr. Luizinho (PP-RJ), com salário de R$ 10 mil.

Atualmente, Dr. Luizinho é coordenador da Comissão Externa para o Coronavírus da Câmara.

Em junho de 2018, Felipe Michel deu a Dr. Luizinho o Conjunto de Medalhas Pedro Ernesto, honraria máxima da Câmara do Rio. Nas redes sociais, é constante a troca de afagos entre os dois.

A assessoria de Dr. Luizinho enviou a seguinte nota sobre a nomeação:

“Paulo César Michel é uma liderança reconhecida há muitos anos na área de Jacarepaguá/Praça Seca e exerce para o mandato a função de articulador político, sobretudo no público de terceira idade, trazendo demandas importantes desse segmento.  A base política que tenho na capital, onde obtive 20.600 dos 103 mil votos da minha eleição, está concentrada sobretudo na região onde Paulo César atua”.

*Foto em destaque: Secretário Felipe Michel / Divulgação / Marcelo Piu / Prefeitura do Rio

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